Um barco à deriva

A impressão que se tem ao observar os rumos do governo municipal é a de que este se assemelha a um “barco à deriva”. Vagueia sem rumo definido, ora indo para um lado, ora a outro. A princípio, pode-se enumerar, pelo menos, quatro razões para que um barco fique à deriva. O primeiro deles é a inexistência de um “capitão”. A “tripulação” não sabe o que fazer, nem a quem obedecer, por não existir uma “figura” central que detenha voz de comando na embarcação.

A segunda razão é a ausência de uma “bussola” que aponte o “norte” e oriente o rumo a seguir. Sem tal instrumento pode-se até saber onde se quer chegar, mas não qual direção tomar para ter êxito.

A terceira razão é a inexistência de um “leme”, instrumento bem pequenino, mas essencial para conduzir o barco. Talvez tenha-se quebrado, ou mesmo nunca tenha sido usado.

Finalmente, a quarta razão, que talvez seja a mais próxima da realidade, é o “motim”. Motim é uma revolta da tripulação que não concorda com o rumo traçado (por não ser o caminho que todos querem tomar), pela insatisfação com aquele que detém o poder de comando, o “capitão”, ou ainda por se sentirem oprimidos com o “peso” das ordens recebidas.

Talvez seja uma dessas razões (ou mais de uma delas) que tenha feito com que o vice-prefeito de Brumadinho, Breno Carone, entrasse com uma denúncia contra o prefeito na Câmara Municipal. Um motim que possui seus motivos. Seja pelo alijamento que Carone afirma estar sofrendo por “não concordar com as atitudes da administração atual” ou por outro que não conhecemos.

No entanto, a razão pela qual Carone tem se orientado para denunciar seu companheiro de chapa, de campanha e de governo perde um pouco da importância frente às provas apresentadas em sua denúncia. São, a princípio, quatro denúncias. Duas delas já de amplo conhecimento da população/tripulação: o pagamento indevido de gratificações a servidores públicos contratados, em desacordo com a legislação; e diversos requerimentos de Vereadores que, ou não foram respondidos, ou foram respondidos fora do prazo previsto em Lei. Essas duas denúncias já foram apresentadas por Guilherme Morais anteriormente na Câmara, mas não foram acatadas na época em razão de “vicio jurídico” na aquisição das provas apresentadas.

As duas novidades são: o estouro da folha de pagamento, que segundo informações da própria Prefeitura estaria (com o aumento de 6% aprovado pela Câmara) no limite de 53,9% da receita corrente líquida. Aqui vale informar que, segundo a Lei, ultrapassados 51,3% a prefeitura já fica automaticamente impedida de uma série de atos administrativos como a concessão de aumentos, reajustes ou adequação de remuneração e o impedimento da criação de cargo, emprego ou função, entre outras coisas. Deve ser por isso que o concurso público da Guarda Municipal ainda não empossou ninguém.

A segunda novidade é a quantidade de cargos a mais na prefeitura a despeito do que está estipulado na Lei. A própria prefeitura publicou no “portal da transparência” (nome irônico, é verdade) o quadro de servidores. Se comparada esta lista disponibilizada pela Prefeitura com o que está previsto na Lei 2.142/2015 percebe-se que vários cargos possuem mais servidores que vagas. Como exemplo – e de acordo com a denúncia de Carone – o anexo da Lei 2.142/2015 prevê a existência de 20 vagas para o cargo de “analista da administração”, porém, segundo a relação da prefeitura, existem 49 “analistas da administração” no município, 29 a mais do que o previsto na Lei. Esse é apenas um dos 9 cargos onde há mais servidores que vagas.

A denúncia feita na Câmara veio acompanhada de vasta documentação e colocada para apreciação dos Vereadores na Reunião Plenária do dia 28 de maio. Uma maioria apertada, de 7 vereadores, votou pelo recebimento da denúncia e 6 Vereadores pelo arquivamento. Por se tratar de votação onde, para ser acatada, a denúncia precisa da maioria absoluta (9 Vereadores), a denúncia foi arquivada. Segundo Carone, a denúncia também foi protocolada no Ministério Público municipal.

A aparente calmaria que se estabeleceu nos mares por onde vagueia a nau desorientada do Executivo, no entanto, não é sinal de que tudo está bem, pois, segundo a “meteorologia”, novas tempestades estão por vir… veremos…

Jornalismo político – partidário

Existe uma infinidade de meios de comunicação impressos em todo o mundo. Aqui me refiro apenas aos impressos, existe outra infinidade de outros meios de comunicação. É muito importante que saibamos ter uma leitura crítica do que é publicado em jornais e revistas. Muito do que está escrito ali pode não estar em conformidade com a realidade ou mesmo estar deturpando completamente a realidade dos fatos. Não estou sendo duro, isso ocorre com mais regularidade do que imaginamos principalmente em pequenos jornais de cidades do interior.

Em Brumadinho, onde moro e sou colaborador de um jornal, é comum vermos reportagens que desvirtuam a realidade dos fatos, ou que colocam, propositadamente, em cheque a idoneidade de algumas pessoas, principalmente os chamados “agentes políticos”.

Não estou em defesa de nenhum “agente político”, mesmo porque se um veículo de comunicação tem cunho estritamente político ele mesmo passa a ser um agente político com fins basicamente eleitoreiros. Uma triste realidade tendo em vista que os jornais de Brumadinho deveriam se ocupar de informar a população do que é relevante para suas vidas e dos problemas que o município enfrenta e como estes mesmos problemas podem ser minimizados. Acredito nesta função social do jornalismo.

De toda maneira, se jornais fazem apenas críticas políticas ou apenas fazem elogios (leia-se baba-ovo político) ele não está colaborando para uma melhora da informação que é publicada. Quer apenas convencer o cidadão de que determinados políticos são “bons” ou “ruins” e desta maneira orientar seu voto. Lembre-se que estamos em ano eleitoral.

Tendo isso em vista eu pretendo publicar neste blog, mensalmente, uma crítica geral de todos os jornais de Brumadinho. Meu objetivo e fazer uma reflexão sobre a qualidade de nosso jornalismo. Não pretendo e nem vou fazer críticas políticas, mas de como as reportagens foram escritas e se elas contemplam as principais características de um texto jornalístico de qualidade, como por exemplo, a impessoalidade, apuração dos fatos, o ouvir os dois lados, a objetividade e a veracidade da notícia. Espero com isso contribuir para a valorização do pensamento crítico de nossa comunidade.

Eleições e o valor do voto

Quando estamos conversando com as pessoas nas ruas, nas rodas dos bares ou mesmo no trabalho, é comum a conversa convergir para a política local. Candidatos e mais candidatos a vereadores e cabos eleitorais antecipados puxam das bocas alheias novidades, notícias e fofocas das movimentações para o pleito do próximo ano.

Agora com o aumento do número de vereadores para a próxima legislatura (serão 13 vereadores) o que não falta são candidatos.  Todos os dias aparecem novos “salvadores” do município prometendo mudança e mais seriedade na administração pública e no legislativo. Novidade? Nenhuma!

Todas as vezes é a mesma coisa, o mesmo papo, e as mesmas promessas. Desta vez, de forma antecipada, já que faltam bons meses para o início do período de campanha. Mas a corrida pelos votos já começou.

Não faço aqui críticas a ninguém. Porém quero pedir aos eleitores brumadinhenses que estão lendo este texto que pensem bem no voto que depositarão no próximo ano. Analisem as opções de candidatos, o trabalho feito e o não feito.

Também temos que olhar com cuidado as críticas que muitas vezes são infundadas. Tem gente por aí que critica muito e não faz nada. Vivem do questionamento à postura alheia e não trabalha para o bem do município.

Lembrem-se do valor do voto. Que você está colocando no poder, por 4 longos anos, uma pessoa para tomar decisões por você, te representar e cuidar de seus interesses como cidadão.

Temos uma grande responsabilidade nas mãos.