“Não são os homens, mas as ideias que brigam”

Artigo publicado no jornal Brumadinho em Foco, edição nº 29, de maio de 2015.

As pessoas geralmente gostam de criticar, mas nunca aceitam bem as críticas sofridas. Não sou psicólogo para inferir qualquer razão a este comportamento, fato é que acontece desta maneira.

Talvez, o campo da atividade humana em que as pessoas devessem ter menos melindres com as críticas sofridas seja a política. Na política é bom e importante ouvir críticas, ponderá-las, aceita-las (ou não) e mudar atitudes e posicionamentos. Nunca estamos certos em tudo.

Todavia, o que me deixa mais perplexo na realidade de nossa cidade é como o Poder Executivo reage mal às críticas que sofre. Agora, ainda mais, está lançando mão de “notas de esclarecimento” repudiando as críticas.

Cabe fazer um pequeno esclarecimento filológico: a palavra “repúdio” tem por sinônimo a palavra “desprezo” e, de forma geral, é uma rejeição a uma mentira. Portanto, é bom que tenhamos cuidado ao “repudiar” o que quer que seja, salvo se a crítica seja realmente uma mentira.

Quero rememorar duas passagens que foram alvo de notas de repúdio por parte do Poder Executivo publicadas no Diário Oficial do Município (DOM).

A primeira é a nota publicada no DOM 395, no dia 25 de março, onde o Procurador Geral do Município (pasmem) declarou seu “veemente protesto, repúdio e inconformada repulsa” a um artigo de opinião de autoria do Sr. Mardocheu Parreiras publicada neste Brumadinho em Foco na edição de nº 27. A nota foi assinada pelo dito Procurador e também (pasmem novamente) pelo Prefeito.

Particularmente fiquei encabulado e tratei de ler novamente o artigo do Sr. Mardocheu e constatei que a nota fazia menção ao último parágrafo do artigo que dizia o seguinte: (…) “A sorte nossa é que temos um prefeito honesto e bem intencionado, porém confia muito nos seus comandados e a maioria não corresponde à confiança recebida, sobretudo o jurídico que só usa o rigor da lei para emperrar a administração” (…)

Não posso identificar neste texto nada que mereça “repúdio e inconformada repulsa”. Houve apenas, e tão somente, uma crítica de nosso amigo articulista ao jurídico da Prefeitura e um descarado elogio ao Prefeito. E vejam que este último ainda assinou a nota publicada no DOM. As vezes me pergunto se o Prefeito se deu ao trabalho de ler o artigo do Sr. Mardocheu.

A nota ainda diz que Procurador e Prefeito preferem “acreditar não se tratar do verdadeiro pensamento de seu autor, nem desse veículo de mídia impressa, mas de ideias que retratem o pensamento de terceiros”. Ora, tal nota insinua que o Sr. Mardocheu não escreve o que assina no jornal e pior, que os editores do Brumadinho em Foco não tem poder de decisão sobre o que o jornal publica. Nunca li algo tão estapafúrdio.

Eis a segunda passagem: a Vereadora Alessandra do Brumado publicou no dia 13 de abril, em seu blog, um artigo de opinião criticando a Secretaria de Administração uma vez que a Prefeitura de Brumadinho estava na eminência de estourar o orçamento com pagamento de pessoal.

Logo veio, galopante, a “nota de esclarecimento” publicada no DOM 409, do dia 15 de abril. O texto vinha manifestar “repúdio sobre as declarações infundadas da vereadora Alessandra do Brumado”. Nota-se que o texto diz que Alessandra é mentirosa por desconfiar (e provar) em seu artigo que a Prefeitura estava a ponto de ultrapassar o limite prudencial previsto em Lei de 51,3% do orçamento com pagamento de pessoal.

Todavia, no dia 24 de abril durante reunião de comissões e plenária da Câmara Municipal, constatou-se que, com o aumento de 6% para o funcionalismo público, a Prefeitura conseguiu a proeza de comprometer 53,9% da folha com o pagamento de pessoal. Ou seja, muito mais do que Alessandra desconfiava e que foi considerado como “mentira” por parte da Prefeitura. Afinal, quem está mentindo?

A Vereadora ainda retrucou a “nota de esclarecimento” no dia 15 de abril, “desenhando” o raciocínio inicial e se posicionando favoravelmente ao aumento (afinal, uma questão de justiça para com o servidor municipal), mas contrariamente ao caminho pelo qual o Poder Executivo pretende se embrenhar.

Cabe ainda uma outra reflexão. Seria o DOM veículo apropriado para a veiculação destas notas de repúdio? Lendo atentamente a Lei que criou o DOM percebemos que o diário se destina a publicação de atos do Executivo e não a notas de repúdio de secretários e procuradores melindrados.

Finalmente, já que estamos em um estado democrático – e ainda não se descobriu outro modelo melhor – temos que encarar críticas com sentimento também democrático. Ter amor pelo debate, mesmo que severo, porém respeitoso. Não colocar nossas paixões pessoais na política, mas seguir a tão célebre constatação de Tancredo Neves: “não são os homens, mas as ideias que brigam”.

Aborto: questão de bom senso

Deborah Duprat

Deborah Duprat

O tema “aborto” é um verdadeiro tabu em nosso país. Assunto capaz de mudar o rumo de eleições, de provocar verdadeiras “batalhas” sociais, o aborto foi demonizado pela nossa sociedade. Vários movimentos populares – talvez o feminista seja o mais atuante deles – reivindicam vorazmente a descriminalização do aborto, alegando que a mulher manda em seu próprio corpo e que o estado não tem o direito de interferir. Isso é questionável.

O Supremo Tribunal Federal (STF) começou ontem (11 de abril) uma votação muito importante para o povo brasileiro: a liberação do aborto para fetos anencéfalos. Caso seja liberado o aborto nesses casos, os fetos em que for comprovada a má formação do tubo neural (ou seja, a má formação do cérebro) poderão ser “tirados” prematuramente. Esse direito livraria mães, pais e famílias da dor de ver nascer já morto um ente querido. Ou mesmo de vê-lo morrer lentamente. A expectativa de vida de bebês anencéfalos, quando não morrem durante o parto, é de poucas horas ou dias. Raramente sobrevivem alguns meses. Mas uma coisa é certa: eles morrerão.

De acordo com informações veiculadas pelo jornal Folha de São Paulo do dia 11 de abril, um em cada 1000 bebês sofrem de anencefalia. A doença afeta mais meninas que meninos. Em todo mundo vários países permitem o aborto nestes casos. Podemos citar exemplos como Rússia, Romênia, Mongólia e Nepal, países que permitem essa interferência na gestação. Não podemos deixar de lembrar também que o Código Penal brasileiro já prevê a liberação do aborto no caso da gravidez incorrer em sério risco de vida para a saúde da mulher. Porque não liberar também para estes casos de anencefalia?

As igrejas estão se mobiliando contra essa liberação. Vigílias estão sendo feitas ás portas do supremo, numa tentativa de impedir que o aborto seja liberado. Religiosos alegam que é um atentado a vida. Mas não estão estes pobres seres humanos – os que sofrem de anencefalia, temos de ressaltar – condenados a morte? A mãe e a família são obrigadas a manter uma gravidez, onde o tão amado filho já está com sua sentença decretada? Isso não seria imputar um sofrimento ainda maior às mães, pais e famílias? Afinal, não estamos em um estado laico? A igreja seja ela qual for não deveria se intrometer nestes assuntos, que cabem apenas ao estado.

Finalmente, não podemos deixar de concordar com a vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat, autora do parecer que em 2009 argumentou pela possibilidade desse aborto. Para ela é “o direito da mulher de não passar por um sofrimento enorme”.

Brumadinho pode ter aeroporto

Reprodução da primeira página do jornal Edição do Brasil

O jornal Edição do Brasil publicou, em seu último número, matéria de primeira página sobre a eminência da construção de um aeroporto de grande porte em Brumadinho. Uma excelente notícia para o município que, caso seja concretizado este ambicioso projeto, passará de um simples município da região metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) para uma cidade pólo.

Segundo a publicação, serão investidos 183 milhões de reais na construção do aeroporto que, pretende-se, entrará em operação em 2014, ano da famigerada copa do mundo.  A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) teria emitido, em dezembro de 2011, parecer favorável à criação do aeroporto.

Brumadinho apostando no turismo da região (que tem um potencial questionável, isso temos de admitir, tendo em vista que o principal atrativo turístico é o Inhotim) vê com bons olhos este empreendimento que tende a fomentar ainda mais o emergente setor.

O local onde será implantado o aeroporto já foi definido. Trata-se de uma fazenda localizada na região conhecida como Varjão. A prefeitura prevê o início das obras para ainda este ano.

Torcemos para que este projeto saia do papel e vire realidade em nosso município.

Entrada gratuita no Inhotim

 O Instituto Inhotim passará, a partir de fevereiro, a disponibilizar um dia na semana de entrada gratuita. A partir de 07 de fevereiro o visitante do Inhotim terá acesso livre e gratuito ao acervo botânico e artístico da instituição, informou um release da assessoria de comunicação do museu. “A decisão de isentar o pagamento da entrada neste dia da semana busca democratizar e facilitar o acesso ao Instituto”, afirmou Roseni Sena, diretora executiva do Inhotim.

Segundo a nota, a expectativa é que esta novidade contribua para aumentar ainda mais o fluxo de visitação. Em 2011 o Inhotim recebeu 248 mil pessoas e desde a sua abertura ao público, a partir de 2006, mais de 769 mil visitantes já estiveram no museu. 

Nos demais dias da semana, de quarta a domingo, a entrada no Instituto custa R$ 20. (Meia-entrada válida para estudantes identificados e maiores de 60 anos). Crianças de até cinco anos não pagam.

 Horário de visitação

Terças, quartas, quintas e sextas-feiras, das 9h30 às 16h30.

Sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 17h30.

 Transporte Saritur

Saída da Rodoviária de Belo Horizonte às 9h (plataforma F2) e retorno às 17h, aos sábados, domingos e feriados. E às 16h de terça a sexta feira.