A importância das abelhas para o meio ambiente

Em Brumadinho, o ambientalista Maurício de Oliveira se esforça a anos para resgatar e proteger as dezenas de espécies de abelhas presentes em todo o município.

Em um primeiro momento pode parecer que as abelhas não tem muita relevância para o meio ambiente. Talvez por ser um animalzinho pequenino, frágil e aparentemente irrelevante. Porém é exatamente o contrário.

As abelhas desempenham um importante papel para o meio ambiente: o de polinizadoras. Elas são responsáveis por espalhar “material genético” por toda área em que atuam, além de ser uma das espécies de seres vivos mais interessantes que existem.

Foi toda essa “importância ambiental” que despertou no ambientalista Maurício de Oliveira o interesse pelas abelhas. Ele se empenha em fazer o resgate e a proteção de diversas colmeias. Conhecido popularmente como “Piau”, Maurício trabalha com o resgate de abelhas a cerca de três anos. Chegou a trabalhar na Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMA), mas foi exonerado recentemente. Porém continua trabalhando como voluntário, dada sua paixão pelas abelhas.

De acordo com Maurício, dentro da área urbana de Brumadinho existem aproximadamente 50 colmeias de abelhas resgatadas (como as da foto que ilustra esta matéria). No entanto existem ainda mais de duas centenas de colmeias mapeadas e monitoradas por ele. “Existem aproximadamente 19 espécies de abelhas no município de Brumadinho, inclusive uma espécie pouco comum, chamada de Mandaçaia [Melipona Quadrifasciata]”, explica.

Ainda segundo Maurício as abelhas são as principais responsáveis pela polenização cruzada de centenas de espécies de plantas. “Cerca de 80% das árvores são polenizadas por elas [as abelhas]. Poderiamos afirmar que se as abelhas fossem extintas, a Mata Atlântica correria o risco de desaparecer também. Ou ainda poderíamos dizer que quanto menos abelha, menos comida”, considera. A polinização é a transferência de material genético da parte masculina para a parte feminina da flor.

Pode parecer exagero, mas especialistas afirmam que o papel das abelhas é tão importante que, por exemplo, se o café for cultivado perto da mata (onde haja a presença de abelhas), há um aumento de 15% na produção de grãos. Outro alerta que especialistas também fazem é que, caso haja a extinção de abelhas ou a redução de sua área de distribuição geográfica haverá também a diminuição na quantidade e qualidade de frutos e sementes produzidas e, consequentemente, na produção mundial de alimentos, como Maurício fez questão de frisar.

Deixando de lado previsões catastróficas a respeito da extinção destes importantes polenizadores, devemos considerar que o resgate e proteção das diversas espécies de abelhas é importante para a manutenção de um meio ambiente equilibrado.

Para Maurício o poder público tem papel importantíssimo para proteger esses animaizinhos. É compreensível sua preocupação, afinal de contas, depois de descobrir um pouco mais sobre as abelhas, quem duvidaria de sua relevância para o meio ambiente?

*Artigo originalmente publicado no jornal Circuito Notícias de Brumadinho, edição de novembro de 2016.

01

Maurício de Oliveira mostra algumas das colmeias resgatadas por ele.

Anúncios

“Não são os homens, mas as ideias que brigam”

Artigo publicado no jornal Brumadinho em Foco, edição nº 29, de maio de 2015.

As pessoas geralmente gostam de criticar, mas nunca aceitam bem as críticas sofridas. Não sou psicólogo para inferir qualquer razão a este comportamento, fato é que acontece desta maneira.

Talvez, o campo da atividade humana em que as pessoas devessem ter menos melindres com as críticas sofridas seja a política. Na política é bom e importante ouvir críticas, ponderá-las, aceita-las (ou não) e mudar atitudes e posicionamentos. Nunca estamos certos em tudo.

Todavia, o que me deixa mais perplexo na realidade de nossa cidade é como o Poder Executivo reage mal às críticas que sofre. Agora, ainda mais, está lançando mão de “notas de esclarecimento” repudiando as críticas.

Cabe fazer um pequeno esclarecimento filológico: a palavra “repúdio” tem por sinônimo a palavra “desprezo” e, de forma geral, é uma rejeição a uma mentira. Portanto, é bom que tenhamos cuidado ao “repudiar” o que quer que seja, salvo se a crítica seja realmente uma mentira.

Quero rememorar duas passagens que foram alvo de notas de repúdio por parte do Poder Executivo publicadas no Diário Oficial do Município (DOM).

A primeira é a nota publicada no DOM 395, no dia 25 de março, onde o Procurador Geral do Município (pasmem) declarou seu “veemente protesto, repúdio e inconformada repulsa” a um artigo de opinião de autoria do Sr. Mardocheu Parreiras publicada neste Brumadinho em Foco na edição de nº 27. A nota foi assinada pelo dito Procurador e também (pasmem novamente) pelo Prefeito.

Particularmente fiquei encabulado e tratei de ler novamente o artigo do Sr. Mardocheu e constatei que a nota fazia menção ao último parágrafo do artigo que dizia o seguinte: (…) “A sorte nossa é que temos um prefeito honesto e bem intencionado, porém confia muito nos seus comandados e a maioria não corresponde à confiança recebida, sobretudo o jurídico que só usa o rigor da lei para emperrar a administração” (…)

Não posso identificar neste texto nada que mereça “repúdio e inconformada repulsa”. Houve apenas, e tão somente, uma crítica de nosso amigo articulista ao jurídico da Prefeitura e um descarado elogio ao Prefeito. E vejam que este último ainda assinou a nota publicada no DOM. As vezes me pergunto se o Prefeito se deu ao trabalho de ler o artigo do Sr. Mardocheu.

A nota ainda diz que Procurador e Prefeito preferem “acreditar não se tratar do verdadeiro pensamento de seu autor, nem desse veículo de mídia impressa, mas de ideias que retratem o pensamento de terceiros”. Ora, tal nota insinua que o Sr. Mardocheu não escreve o que assina no jornal e pior, que os editores do Brumadinho em Foco não tem poder de decisão sobre o que o jornal publica. Nunca li algo tão estapafúrdio.

Eis a segunda passagem: a Vereadora Alessandra do Brumado publicou no dia 13 de abril, em seu blog, um artigo de opinião criticando a Secretaria de Administração uma vez que a Prefeitura de Brumadinho estava na eminência de estourar o orçamento com pagamento de pessoal.

Logo veio, galopante, a “nota de esclarecimento” publicada no DOM 409, do dia 15 de abril. O texto vinha manifestar “repúdio sobre as declarações infundadas da vereadora Alessandra do Brumado”. Nota-se que o texto diz que Alessandra é mentirosa por desconfiar (e provar) em seu artigo que a Prefeitura estava a ponto de ultrapassar o limite prudencial previsto em Lei de 51,3% do orçamento com pagamento de pessoal.

Todavia, no dia 24 de abril durante reunião de comissões e plenária da Câmara Municipal, constatou-se que, com o aumento de 6% para o funcionalismo público, a Prefeitura conseguiu a proeza de comprometer 53,9% da folha com o pagamento de pessoal. Ou seja, muito mais do que Alessandra desconfiava e que foi considerado como “mentira” por parte da Prefeitura. Afinal, quem está mentindo?

A Vereadora ainda retrucou a “nota de esclarecimento” no dia 15 de abril, “desenhando” o raciocínio inicial e se posicionando favoravelmente ao aumento (afinal, uma questão de justiça para com o servidor municipal), mas contrariamente ao caminho pelo qual o Poder Executivo pretende se embrenhar.

Cabe ainda uma outra reflexão. Seria o DOM veículo apropriado para a veiculação destas notas de repúdio? Lendo atentamente a Lei que criou o DOM percebemos que o diário se destina a publicação de atos do Executivo e não a notas de repúdio de secretários e procuradores melindrados.

Finalmente, já que estamos em um estado democrático – e ainda não se descobriu outro modelo melhor – temos que encarar críticas com sentimento também democrático. Ter amor pelo debate, mesmo que severo, porém respeitoso. Não colocar nossas paixões pessoais na política, mas seguir a tão célebre constatação de Tancredo Neves: “não são os homens, mas as ideias que brigam”.

A vida radiante na simplicidade

É sempre uma grata surpresa nos deparar com um novo autor que nos prenda e surpreenda com seu texto. Às vezes estamos meio que desanimados com o que andamos lendo. Tudo parece meio igual, meio que pouco estimulante.

Recentemente, por indicação de uma amiga, comprei um livro de um autor totalmente desconhecido para mim (mas bem conhecido no mundo da literatura). Em uma conversa informal, onde falávamos sobre a cultura judaica, a religião e a influência do judaísmo no ocidente, Ana Amélia perguntou de repente: “Douglas, você já leu algum livro do Amós Oz?” Respondi negativamente. “Deveria ler. É um dos meus autores prediletos”. Fiquei curioso em conhecer o trabalho do autor, ainda mais por saber que é israelense. Não me arrependi.

Comprei o livro “Entre amigos”, pouco antes de seguir para a faculdade e na volta para casa, dentro do ônibus, comecei a leitura, que só pude largar depois de sorver cada palavra das 135 páginas.

Fiquei impressionado não só com as histórias, mas principalmente com a narrativa. Enquanto lia, sentia como que sentado em um pequeno banco no Kibutz Ikhat, com o sol batendo no rosto, ouvindo ao longe o barulho do trator, os ruídos das galinhas e do cortador de grama de Tzvi Provizor. Quanta angústia havia naquele texto, quantos conflitos, quanta paixão, quanta vida!

Na simplicidade do texto de Amós Oz eu me afundei. Em cada um dos oito pequenos contos, que se entrelaçam na vida cotidiana dos moradores do Kibutz Ikhat. Em suas vidas comuns e repletas de certezas e incertezas. Vi-me ali junto com eles, em sua comunidade estranhamente socialista. Oz me mostrou um pedacinho de Israel, dos Kibutzim com sua cultura quase distinta do restante do país. Dos conflitos morais entre seus membros. Da singularidade do ser humano.

Um livro que vale a pena ler, mas ler de peito aberto, sem preconceitos, sem esperar muito do que se pode encontrar naquelas páginas.

13348_g

A última lição de Márcio Thomaz Bastos*

A Revista do Advogado, periódico da Associação dos Advogados de São Paulo, publicou em sua edição de dezembro de 2014 um artigo póstumo do ex-Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que morreu em 20 de novembro do ano passado.

O artigo intitulado “Um modelo de política de combate à corrupção”, abordou temas como: “os sentidos nocivos da corrupção; possíveis causas do desprezo pelo bem comum; transparência política e administrativa; eficácia comprovada das políticas de transparência administrativa; e o aperfeiçoamento de outras estratégias preventivas”.

Entre estes temas tratados por Bastos, o que mais chama a atenção, – não somente pela atualidade do assunto, mas também pela fácil associação ao nosso cotidiano – são as “possíveis causas do desprezo pelo bem comum”.

Este tópico nos lembra, especialmente, a Reunião Plenária Extraordinária que aconteceu na Câmara Municipal no dia 17 de dezembro de 2014. Na ocasião, vereadores apoiadores do Prefeito votaram contra diversas emendas apresentadas pela Vereadora Alessandra do Brumado. As emendas propunham alterações na Lei Orçamentária para o ano de 2015 e destinavam mais recursos (dinheiro) dos cofres públicos para maior investimento em segurança pública, abastecimento de água, habitação de interesse social, tratamento de dependentes químicos e os programas de apoio à 3ª idade.

Apenas para ilustrar vamos citar a emenda 11/2014 que tinha por objetivo transferir 1 milhão de reais do montante destinado à Câmara Municipal para a aplicação em Programas de Habitação de Interesse Social. A intenção era que o próprio Poder Executivo pudesse criar e implantar seu próprio programa de habitação – como o “minha casa, minha vida” do Governo Federal. Não foi apresentado nenhum argumento para a rejeição da emenda. Os apoiadores do Prefeito apenas votaram contra. Ora, que falta faria 1 milhão de reais sendo que a Câmara neste ano devolverá para a Prefeitura cerca de 1,5 milhão que sobraram do orçamento para 2014? Ficou evidente com esta postura o interesse único e exclusivo de derrubar as emendas, independentemente de serem boas ou ruins.

É lógico que votar contra o aporte de recursos para estas áreas é um evidente sinal de “desprezo pelo bem comum”. O que nos resta é a indagação: porque os vereadores apoiadores do Prefeito votaram contra essas emendas que não tinham objetivo outro senão a melhoria da qualidade de vida da população?

É bom que cada um teça suas próprias considerações a respeito. Todavia, não se pode deixar de considerar um fator estritamente “politiqueiro” no comportamento de alguns Vereadores. Quando passa a falar mais alto o interesse em prejudicar a atuação de um vereador específico, o “desprezo pelo bem comum” se evidencia. Para alguns, não importa que a população fique prejudicada, desde que a “persona non grata” tenha suas iniciativas legislativas frustradas. Uma postura lamentável.

Entre os caminhos sugeridos pelo ex-Ministro em seu artigo está o fomento de uma educação cidadã que mude a mentalidade social. Percebe-se a urgência desta mudança de mentalidade, em todas as instâncias. Nossas instituições não podem continuar com a postura embotada, que muitas vezes pode evoluir para a malversação da coisa pública.

Muitos em nossa cidade deveriam aprender com esta última lição de Márcio Thomaz Bastos.

*artigo originalmente publicado no Jornal Brumadinho Em Foco de janeiro de 2015.

Jornal O Globo reconhece apoio ao Golpe de 64

O reconhecimento do Jornal O Globo de que apoiou a ditadura não soou apenas como um “mea culpa” para os jornalistas que comentaram o assunto no início de setembro. Mais do que isso, foi algo que muitos julgavam que nunca iria acontecer, dada a maneira como as organizações Globo tratam sua principal matéria prima: a notícia.

O texto foi publicado no dia 31 de agosto, no site do Globo como conteúdo do projeto “Memória”, que pretende resgatar e disponibilizar ao público parte do acervo de anos de jornalismo d’O Globo, um dos principais diários de nosso país.

Essa postura do jornal, de reconhecer seu “apoio editorial” ao Golpe de 64, chamou a atenção dos principais jornalistas brasileiros.  Alberto Dines, um dos mais velhos e atuantes jornalistas brasileiros, ressaltou sua surpresa em texto publicado em seu Observatório da Imprensa (Veja aqui: http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/enfim_a_primavera_da_midia_brasileira): “Impensável, mas aconteceu. Com destaque, solenidade e brio, sem justificativas mornas, dubiedades ou disfarces, o Globo, carro-chefe das Organizações Globo, o maior grupo de mídia do Brasil e um dos mais importantes do mundo, admitiu – depois de discussões internas que duraram anos – que o apoio ao golpe militar de 1964 foi um equívoco”.

Parece que realmente os tempos são outros para o jornalismo brasileiro. A chamada “grande imprensa” ficou em cheque com as reivindicações de mais “clareza” nas coberturas, feitas principalmente pelos ativistas participantes das manifestações que tomaram o Brasil desde julho deste ano. O chamado “Mídia Ninja” , com sua mescla grosseira e espontânea de jornalismo e ativismo, têm mudado a forma como é visto, produzido e discutido o jornalismo audiovisual. Agora o Jornal O Globo (talvez pressionado pelos movimentos “antiglobo” que chegaram a levar centenas de pessoas aos portões da emissora no Rio de Janeiro) faz uma autocrítica histórica.

Reconhecer o erro deve implicar em mudança de postura. As Organizações Globo, principal conglomerado de mídia do país, devem rever seus conceitos editoriais (e porque não do próprio jornalismo) a fim de promover uma cobertura mais assertiva. Todo reconhecimento do erro deve ser precedido de uma tentativa de “acerto”.

Memória a um clique

Não podemos deixar de ressaltar o belo trabalho realizado pelo O Globo que disponibilizou parte de seu acervo na internet.

O projeto Memória traz fotos, reportagens, depoimentos e vídeos de um dos principais jornais do país. Destaque para a “linha do tempo” que mostra a dinâmica jornalística da publicação desde seu lançamento, em 29 de julho de 1925.

Acesse em http://memoria.oglobo.globo.com/

Maletta Coletivo

O Edifício Maletta fica na Rua Augusto de Lima, quase esquina com a Rua da Bahia. É no Maletta que, desde 2010, acontece as exposições do Coletivo “Piolho Nababo”. A intenção do coletivo, segundo Froiid, artista plástico e um dos idealizadores do movimento, é a democratização da arte, propondo um espaço diferente, sem o conceito de curadoria. As exposições acontecem todas as sextas-feiras. “A parede branca recebe a exposição da semana, é o Nababo ou área nobre da galeria, as outras obras vão para as outras paredes, elas são o piolho”, explicou Froiid.

O conceito de democratização da arte se reflete também nos preços das obras, que variam desde R$ 1,99 até algumas centenas de reais. “Já tivemos obras de até seis mil reais expostas aqui, mas não vendeu e o artista levou embora”, explica. O coletivo recebe qualquer tipo de arte para a exposição, telas, desenhos, colagens, filmes, performances, teatro, até bandas já tocaram no espaço.

Na noite de 16 de março alunos do curso de Jornalismo do Centro Universitário Izabela Hendrix foram para o Maletta. Munidos de blocos, canetas e máquinas fotográficas a pauta dos universitários era produzir conteúdo para o site BH na Rede, um projeto experimental do modulo de Jornalismo Digital Avançado. A idéia é alimentar o link “ôncovô” que fala sobre as opções de lazer não muito óbvias na capital mineira. Para o site deverá ser produzido vários tipos de conteúdo, entrevistas, fotografias e gravações de áudio.

Logo que chegaram à pequena sala repleta de obras espalhadas por todos os lados, algumas mesmo empilhadas em montes desarrumados e pendendo do teto baixo como cascas soltas, os alunos se viram na difícil tarefa de propor um olhar organizado a tudo (ou quase tudo) que emergia dali. Logo escolheram seus entrevistados que se desdobravam para responder as perguntas, dar atenção aos visitantes e vender a cerveja estocada na caixa de isopor encardida recostada na parede. A iluminação do espaço não ajudava muito e os jovens jornalistas tiveram que recorrer à memória das aulas de fotojornalismo. “Minhas fotos estão ficando uma bosta”, reclamou uma universitária enquanto tentava ajustar a velocidade de obturação e a abertura do diafragma da máquina fotográfica.

Logo foi emergindo personagens incomuns, como o artista plástico Daniel Lassim, o expositor da noite. Daniel falava sobre sua rotina e suas influências artísticas, que variavam desde filmes de terror e quadrinhos até as capas de cd’s de heavy metal. Os universitários se espalhavam conversavam, fotografavam, inquiriam razões e pontos de vista de artistas, freqüentadores ou meros curiosos. “Sempre venho aqui depois de participar das reuniões do “Anonimous” (movimento hacker de contestação e defensor da liberdade de postagem de conteúdo na web)”, disse Maria Tereza, 15 anos. Sua amiga, Lis, de 16 anos, também é freqüentadora assídua das exposições. “Sempre que estou em BH eu venho aqui”, afirmou.

Logo os universitários estavam sentados pelo chão. Rascunhavam suas matérias, avaliavam suas fotos nos visores de LCD das máquinas, conversavam generalidades com professores e freqüentadores. “Eu quero é tomar uma cerveja” confessou a estudante, olhando para as pessoas que empunhavam suas “long neck’s” pelo corredor. Na volta para a faculdade, depois da pauta cumprida, subindo a Rua da Bahia, saciou sua vontade.

Jornalismo político – partidário

Existe uma infinidade de meios de comunicação impressos em todo o mundo. Aqui me refiro apenas aos impressos, existe outra infinidade de outros meios de comunicação. É muito importante que saibamos ter uma leitura crítica do que é publicado em jornais e revistas. Muito do que está escrito ali pode não estar em conformidade com a realidade ou mesmo estar deturpando completamente a realidade dos fatos. Não estou sendo duro, isso ocorre com mais regularidade do que imaginamos principalmente em pequenos jornais de cidades do interior.

Em Brumadinho, onde moro e sou colaborador de um jornal, é comum vermos reportagens que desvirtuam a realidade dos fatos, ou que colocam, propositadamente, em cheque a idoneidade de algumas pessoas, principalmente os chamados “agentes políticos”.

Não estou em defesa de nenhum “agente político”, mesmo porque se um veículo de comunicação tem cunho estritamente político ele mesmo passa a ser um agente político com fins basicamente eleitoreiros. Uma triste realidade tendo em vista que os jornais de Brumadinho deveriam se ocupar de informar a população do que é relevante para suas vidas e dos problemas que o município enfrenta e como estes mesmos problemas podem ser minimizados. Acredito nesta função social do jornalismo.

De toda maneira, se jornais fazem apenas críticas políticas ou apenas fazem elogios (leia-se baba-ovo político) ele não está colaborando para uma melhora da informação que é publicada. Quer apenas convencer o cidadão de que determinados políticos são “bons” ou “ruins” e desta maneira orientar seu voto. Lembre-se que estamos em ano eleitoral.

Tendo isso em vista eu pretendo publicar neste blog, mensalmente, uma crítica geral de todos os jornais de Brumadinho. Meu objetivo e fazer uma reflexão sobre a qualidade de nosso jornalismo. Não pretendo e nem vou fazer críticas políticas, mas de como as reportagens foram escritas e se elas contemplam as principais características de um texto jornalístico de qualidade, como por exemplo, a impessoalidade, apuração dos fatos, o ouvir os dois lados, a objetividade e a veracidade da notícia. Espero com isso contribuir para a valorização do pensamento crítico de nossa comunidade.