Sangue na neve: crime e redenção de um disléxico

Já havia publicado por aqui uma resenha a respeito de “o leopardo”, primeiro livro que li de Jo Nesbo. Achei o livro ótimo, como vocês poderão rememorar aqui.

Recentemente resolvi ler o famoso “sangue na neve”, que é o livro que chamou a atenção do mercado editorial para Nesbo (pelo menos é o que fiquei sabendo).

Não se trata de uma estória envolvendo o já famoso personagem de Nesbo, Harry Hole, mas da vida de um assassino profissional disléxico (acho que foi isso que mais me chamou a atenção).

O texto é narrado em primeira pessoa, do ponto de vista de Olav (nosso assassino) e mostra a confusão em que se meteu ao tentar agir por conta própria quando seu “patrão” lhe encomendou um “servicinho” simples e rápido.

Nesbo discorre de forma dinâmica, prendendo a atenção do leitor, e demonstra, no desenrolar da trama, fatos e acontecimentos da vida de Olav em Oslo (onde se passa os acontecimentos).

Nosso protagonista possui um certo interesse (fetiche?) em proteger “mulheres problemáticas”. Teve uma relação desgastante com o pai e a mãe e fala como se inseriu no mundo do crime, as dificuldades que teve com outros “trabalhos” e sua condição de “disléxico”.

É interessante o raciocínio de Olav, as vezes inteligente e elaborado, as vezes simplista e um pouco ingênuo.

No entanto, o que julgo mais interessante no livro foi mostrar o ponto de vista por parte de Olav, as vezes demonstrando que ele pudesse estar interpretando os acontecimentos ao seu redor de forma equivocada.

Um bom livro, sem sombra de dúvida.

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Sangue na neve. Autor: Jo Nesbo. 154 páginas. Editora Record, 2015. Tradução de Gustavo Mesquita.

 

“Não são os homens, mas as ideias que brigam”

Artigo publicado no jornal Brumadinho em Foco, edição nº 29, de maio de 2015.

As pessoas geralmente gostam de criticar, mas nunca aceitam bem as críticas sofridas. Não sou psicólogo para inferir qualquer razão a este comportamento, fato é que acontece desta maneira.

Talvez, o campo da atividade humana em que as pessoas devessem ter menos melindres com as críticas sofridas seja a política. Na política é bom e importante ouvir críticas, ponderá-las, aceita-las (ou não) e mudar atitudes e posicionamentos. Nunca estamos certos em tudo.

Todavia, o que me deixa mais perplexo na realidade de nossa cidade é como o Poder Executivo reage mal às críticas que sofre. Agora, ainda mais, está lançando mão de “notas de esclarecimento” repudiando as críticas.

Cabe fazer um pequeno esclarecimento filológico: a palavra “repúdio” tem por sinônimo a palavra “desprezo” e, de forma geral, é uma rejeição a uma mentira. Portanto, é bom que tenhamos cuidado ao “repudiar” o que quer que seja, salvo se a crítica seja realmente uma mentira.

Quero rememorar duas passagens que foram alvo de notas de repúdio por parte do Poder Executivo publicadas no Diário Oficial do Município (DOM).

A primeira é a nota publicada no DOM 395, no dia 25 de março, onde o Procurador Geral do Município (pasmem) declarou seu “veemente protesto, repúdio e inconformada repulsa” a um artigo de opinião de autoria do Sr. Mardocheu Parreiras publicada neste Brumadinho em Foco na edição de nº 27. A nota foi assinada pelo dito Procurador e também (pasmem novamente) pelo Prefeito.

Particularmente fiquei encabulado e tratei de ler novamente o artigo do Sr. Mardocheu e constatei que a nota fazia menção ao último parágrafo do artigo que dizia o seguinte: (…) “A sorte nossa é que temos um prefeito honesto e bem intencionado, porém confia muito nos seus comandados e a maioria não corresponde à confiança recebida, sobretudo o jurídico que só usa o rigor da lei para emperrar a administração” (…)

Não posso identificar neste texto nada que mereça “repúdio e inconformada repulsa”. Houve apenas, e tão somente, uma crítica de nosso amigo articulista ao jurídico da Prefeitura e um descarado elogio ao Prefeito. E vejam que este último ainda assinou a nota publicada no DOM. As vezes me pergunto se o Prefeito se deu ao trabalho de ler o artigo do Sr. Mardocheu.

A nota ainda diz que Procurador e Prefeito preferem “acreditar não se tratar do verdadeiro pensamento de seu autor, nem desse veículo de mídia impressa, mas de ideias que retratem o pensamento de terceiros”. Ora, tal nota insinua que o Sr. Mardocheu não escreve o que assina no jornal e pior, que os editores do Brumadinho em Foco não tem poder de decisão sobre o que o jornal publica. Nunca li algo tão estapafúrdio.

Eis a segunda passagem: a Vereadora Alessandra do Brumado publicou no dia 13 de abril, em seu blog, um artigo de opinião criticando a Secretaria de Administração uma vez que a Prefeitura de Brumadinho estava na eminência de estourar o orçamento com pagamento de pessoal.

Logo veio, galopante, a “nota de esclarecimento” publicada no DOM 409, do dia 15 de abril. O texto vinha manifestar “repúdio sobre as declarações infundadas da vereadora Alessandra do Brumado”. Nota-se que o texto diz que Alessandra é mentirosa por desconfiar (e provar) em seu artigo que a Prefeitura estava a ponto de ultrapassar o limite prudencial previsto em Lei de 51,3% do orçamento com pagamento de pessoal.

Todavia, no dia 24 de abril durante reunião de comissões e plenária da Câmara Municipal, constatou-se que, com o aumento de 6% para o funcionalismo público, a Prefeitura conseguiu a proeza de comprometer 53,9% da folha com o pagamento de pessoal. Ou seja, muito mais do que Alessandra desconfiava e que foi considerado como “mentira” por parte da Prefeitura. Afinal, quem está mentindo?

A Vereadora ainda retrucou a “nota de esclarecimento” no dia 15 de abril, “desenhando” o raciocínio inicial e se posicionando favoravelmente ao aumento (afinal, uma questão de justiça para com o servidor municipal), mas contrariamente ao caminho pelo qual o Poder Executivo pretende se embrenhar.

Cabe ainda uma outra reflexão. Seria o DOM veículo apropriado para a veiculação destas notas de repúdio? Lendo atentamente a Lei que criou o DOM percebemos que o diário se destina a publicação de atos do Executivo e não a notas de repúdio de secretários e procuradores melindrados.

Finalmente, já que estamos em um estado democrático – e ainda não se descobriu outro modelo melhor – temos que encarar críticas com sentimento também democrático. Ter amor pelo debate, mesmo que severo, porém respeitoso. Não colocar nossas paixões pessoais na política, mas seguir a tão célebre constatação de Tancredo Neves: “não são os homens, mas as ideias que brigam”.

Gênesis: uma viagem monocromática pelo mundo

Entre 2004 e 2012, Sebastião Salgado andou por 32 regiões do mundo, junto com sua esposa, Lélia Wanick, registrando imagens que buscavam demonstrar a relação do homem com a natureza ao seu redor. O resultado desta experiência foi o conjunto de fotografias que compõem a exposição “Gênesis”.

As imagens capitadas por Salgado são emocionantes e cheias de vida, mesmo estando todas em preto e branco – preferência do fotógrafo.

O fato das fotos estarem em preto e branco fazem com que possamos absorver cada detalhe, sem que cores desviassem a atenção do observador. Salgado nos leva por uma viagem bruxuleante, sonolenta, entre as imagens repletas de tons cinzentos.

A simplicidade e singularidade da vida vão se desenrolando em um fio… Sem início, sem fim. É impressionante o que se pode conseguir com fotos em preto e branco. Para Sebastião Salgado as cores são um luxo do qual ela não tem a mínima necessidade. As fotos de Salgado com cores, simplesmente não seriam dele.

Sebastião Salgado nasceu em Aimorés, Minas Gerais, em 1944. Abandonou a Economia para se dedicar à fotografia em 1973 e desde então tem percorrido o mundo desenvolvendo seus projetos fotográficos.

Em seus trabalhos, Salgado inadvertidamente volta sua lente não apenas para as sociedades e as pessoas que encontra, mas também para o contexto natural e social em que estão inseridas. É uma visão antropológica e crítica não apenas do mundo, mas de toda a sociedade.

Salgado consegue mostrar o mundo como poucos na ausência das cores e abundância da luz.

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Foto: Sebastião Salgado.

A vida radiante na simplicidade

É sempre uma grata surpresa nos deparar com um novo autor que nos prenda e surpreenda com seu texto. Às vezes estamos meio que desanimados com o que andamos lendo. Tudo parece meio igual, meio que pouco estimulante.

Recentemente, por indicação de uma amiga, comprei um livro de um autor totalmente desconhecido para mim (mas bem conhecido no mundo da literatura). Em uma conversa informal, onde falávamos sobre a cultura judaica, a religião e a influência do judaísmo no ocidente, Ana Amélia perguntou de repente: “Douglas, você já leu algum livro do Amós Oz?” Respondi negativamente. “Deveria ler. É um dos meus autores prediletos”. Fiquei curioso em conhecer o trabalho do autor, ainda mais por saber que é israelense. Não me arrependi.

Comprei o livro “Entre amigos”, pouco antes de seguir para a faculdade e na volta para casa, dentro do ônibus, comecei a leitura, que só pude largar depois de sorver cada palavra das 135 páginas.

Fiquei impressionado não só com as histórias, mas principalmente com a narrativa. Enquanto lia, sentia como que sentado em um pequeno banco no Kibutz Ikhat, com o sol batendo no rosto, ouvindo ao longe o barulho do trator, os ruídos das galinhas e do cortador de grama de Tzvi Provizor. Quanta angústia havia naquele texto, quantos conflitos, quanta paixão, quanta vida!

Na simplicidade do texto de Amós Oz eu me afundei. Em cada um dos oito pequenos contos, que se entrelaçam na vida cotidiana dos moradores do Kibutz Ikhat. Em suas vidas comuns e repletas de certezas e incertezas. Vi-me ali junto com eles, em sua comunidade estranhamente socialista. Oz me mostrou um pedacinho de Israel, dos Kibutzim com sua cultura quase distinta do restante do país. Dos conflitos morais entre seus membros. Da singularidade do ser humano.

Um livro que vale a pena ler, mas ler de peito aberto, sem preconceitos, sem esperar muito do que se pode encontrar naquelas páginas.

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A última lição de Márcio Thomaz Bastos*

A Revista do Advogado, periódico da Associação dos Advogados de São Paulo, publicou em sua edição de dezembro de 2014 um artigo póstumo do ex-Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que morreu em 20 de novembro do ano passado.

O artigo intitulado “Um modelo de política de combate à corrupção”, abordou temas como: “os sentidos nocivos da corrupção; possíveis causas do desprezo pelo bem comum; transparência política e administrativa; eficácia comprovada das políticas de transparência administrativa; e o aperfeiçoamento de outras estratégias preventivas”.

Entre estes temas tratados por Bastos, o que mais chama a atenção, – não somente pela atualidade do assunto, mas também pela fácil associação ao nosso cotidiano – são as “possíveis causas do desprezo pelo bem comum”.

Este tópico nos lembra, especialmente, a Reunião Plenária Extraordinária que aconteceu na Câmara Municipal no dia 17 de dezembro de 2014. Na ocasião, vereadores apoiadores do Prefeito votaram contra diversas emendas apresentadas pela Vereadora Alessandra do Brumado. As emendas propunham alterações na Lei Orçamentária para o ano de 2015 e destinavam mais recursos (dinheiro) dos cofres públicos para maior investimento em segurança pública, abastecimento de água, habitação de interesse social, tratamento de dependentes químicos e os programas de apoio à 3ª idade.

Apenas para ilustrar vamos citar a emenda 11/2014 que tinha por objetivo transferir 1 milhão de reais do montante destinado à Câmara Municipal para a aplicação em Programas de Habitação de Interesse Social. A intenção era que o próprio Poder Executivo pudesse criar e implantar seu próprio programa de habitação – como o “minha casa, minha vida” do Governo Federal. Não foi apresentado nenhum argumento para a rejeição da emenda. Os apoiadores do Prefeito apenas votaram contra. Ora, que falta faria 1 milhão de reais sendo que a Câmara neste ano devolverá para a Prefeitura cerca de 1,5 milhão que sobraram do orçamento para 2014? Ficou evidente com esta postura o interesse único e exclusivo de derrubar as emendas, independentemente de serem boas ou ruins.

É lógico que votar contra o aporte de recursos para estas áreas é um evidente sinal de “desprezo pelo bem comum”. O que nos resta é a indagação: porque os vereadores apoiadores do Prefeito votaram contra essas emendas que não tinham objetivo outro senão a melhoria da qualidade de vida da população?

É bom que cada um teça suas próprias considerações a respeito. Todavia, não se pode deixar de considerar um fator estritamente “politiqueiro” no comportamento de alguns Vereadores. Quando passa a falar mais alto o interesse em prejudicar a atuação de um vereador específico, o “desprezo pelo bem comum” se evidencia. Para alguns, não importa que a população fique prejudicada, desde que a “persona non grata” tenha suas iniciativas legislativas frustradas. Uma postura lamentável.

Entre os caminhos sugeridos pelo ex-Ministro em seu artigo está o fomento de uma educação cidadã que mude a mentalidade social. Percebe-se a urgência desta mudança de mentalidade, em todas as instâncias. Nossas instituições não podem continuar com a postura embotada, que muitas vezes pode evoluir para a malversação da coisa pública.

Muitos em nossa cidade deveriam aprender com esta última lição de Márcio Thomaz Bastos.

*artigo originalmente publicado no Jornal Brumadinho Em Foco de janeiro de 2015.

Não há cidadania sem informação

“Cidadania (do latim, civitas, “cidade”) é o conjunto de direitos e deveres ao qual um indivíduo está sujeito em relação à sociedade em que vive.”
Uma das principais características de um governo democrático e participativo são o acesso e a divulgação de informações por esse governo. A informação é um bem tão precioso para o cidadão que existe uma Lei específica neste sentido: a Lei de acesso à informação (Lei 12.527/2011). Esta lei pretende assegurar o “fomento ao desenvolvimento da cultura de transparência na administração pública”, tanto no Governo Federal, quanto nos Estados e Municípios. Portanto, a informação é um direito fundamental em um estado democrático.
No entanto, em Brumadinho vemos que o governo eleito sobre a égide da “honestidade e transparência” não atribui tanta importância à divulgação de informações (informações públicas, deve-se ressaltar). A Câmara de Brumadinho votou e aprovou em Reuniões Plenárias, muitos Requerimentos dos Vereadores. Requerimentos pedindo diversas informações, porém muitos não foram respondidos. Cabe lembrar que a Prefeitura tem a obrigação de responder os requerimentos dentro de 15 dias, sendo que o descumprimento deste prazo implica em “infração política-administrativa”, como prevê o artigo 69, parágrafo terceiro da Lei Orgânica do Município de Brumadinho. No mesmo sentido prevê o Decreto-Lei 201/67. Alguns requerimentos já foram encaminhados e reencaminhados à Prefeitura e estão postos de lado pela administração pública a mais de um ano (sim, alguns são de 2013).
Muitos destes requerimentos são de autoria da Vereadora Alessandra Oliveira, que não vendo na Prefeitura a boa vontade e cooperação para responder seus pedidos, decidiu fazer uma representação no Ministério Público. Solicitando que o MP intervenha para o cumprimento da Lei Orgânica do município.
No entanto, se a Câmara de Brumadinho, aprovou os requerimentos em Reunião Plenária, esses “pedidos de informações” passam a ser de autoria de todos os vereadores. Portanto, caberia à Câmara tomar providências legais com relação ao descumprimento da Lei. A Câmara poderá ainda abrir um processo político-administrativo contra o Prefeito, podendo inclusive, cassar seu mandato.
Não podemos deixar de ressaltar que tal atitude da Prefeitura é uma omissão e a quebra mais que evidente do compromisso do Executivo com a “honestidade e transparência” com a administração pública.
Agora cabe à Câmara Municipal e ao Ministério Público analisar e tomar as medidas necessárias, para que seja respeitado o direito à informação, uma vez que os vereadores são os representantes legais do cidadão brumadinhense, cabendo a eles não só a responsabilidade de legisladores, mas também fiscalizadores do Executivo.

Transporte público desaconselhável

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O Conselho de Trânsito e Transporte de Brumadinho (COMUTRAN) praticamente não tem validade alguma. Foi o que ficou evidente na reunião do COMUTRAN no dia 21 de fevereiro. O conselho não possui um representante da sociedade civil organizada, que seria um membro da Associação dos Usuários do Transporte Coletivo de Brumadinho, o que é previsto não só em seu estatuto, mas também na Lei 1342/2003 que estabelece o Sistema Municipal de Transporte, Trânsito e Circulação e discorre sobre o COMUTRAN no artigo 28.

Além do mais, não existe paridade no conselho entre representantes do Executivo e da Sociedade Civil Organizada, uma verdadeira anomalia na Lei. Fato é que da mesma forma que a deliberação de aumento das passagens do transporte público municipal (realizada na reunião do dia 19 de dezembro de 2013) foi invalidada pela Procuradoria Geral do Município em razão da falta de representatividade por parte da sociedade civil organizada, também todas as outras ações discutidas e votadas pelo COMUTRAN também podem ser invalidadas, ou pelo menos questionadas sobre sua “legalidade”.

A vereadora Alessandra Oliveira esteve na reunião do dia 21 e questionou esses problemas de representatividade no conselho. Posteriormente, Alessandra protocolou na Câmara de Brumadinho o Projeto de Lei 28/2014 alterando a Lei e procurando dar paridade ao conselho (o Projeto de Lei pode ser analisado no blog da vereadora: www.alessandradobrumado.wordpress.com).

Que o usuário vá a pé…

No artigo anterior publicado neste espaço fiz algumas colocações sobre os problemas enfrentados pelos usuários do transporte público municipal. Principalmente sobre os problemas com os itinerários (veja a edição 14 do Brumadinho em Foco).

Estes problemas já haviam sido levantados e questionados por Alessandra através do Ofício 08/2014 (de 22 de janeiro). A Turilessa finalmente respondeu esses questionamentos (não os meus, mas os da vereadora) através de ofício no dia 17 de fevereiro. Segundo a Turilessa “não há a possibilidade de atendimento (dos pedidos de melhora na prestação de serviços), pois beneficiaria somente alguns usuários em detrimento da grande maioria porque aumentaria o tempo de percurso”. Parece que o “usuário” morador do centro de Brumadinho é “mais usuário” do que o de Conceição de Itaguá, ou do Bairro José de Sales Barbosa, ou da Vila São Sebastião. Brumadinho cresce, novos bairros surgem, mas a empresa entende que o itinerário do transporte público não pode ser alterado em benefício de todos os usuários.

Não é atoa que o jornal Edição do Brasil, em sua edição de 15 a 22 de fevereiro de 2014, publicou na seção “vigílias”, uma nota intitulada “E agora Rubens?”. A pequena nota discorria: “dados do DER divulgados recentemente pela TV Globo garantem que as reclamações contra as empresas de ônibus da região metropolitana da capital aumentaram 150% nos últimos tempos. Sabem quem é o presidente do sindicato dos empresários do setor? O Sr. Rubens Lessa, poderoso proprietário da Saritur, cujos ônibus também circulam em muitos dos municípios criticados pela população. Durma com um barulho desses…”.

Mesmo com todo este “barulho” muitos continuam “dormindo”. Já passou da hora de acordarmos para a necessidade de revermos o transporte público em nosso município.