Relatório da SOS Mata Atlântica aponta “morte” do Rio Paraopeba em Brumadinho

A ONG SOS Mata Atlântica realizou uma expedição pelo Rio Paraopeba após a tragédia da Vale em Brumadinho. O objetivo foi realizar análises para apontar a qualidade da água no trecho que vai de Brumadinho até Felixlândia. Os resultados da expedição foram publicados em um relatório disponibilizado pela ONG.

A equipe da SOS Mata Atlântica utilizou equipamentos de precisão, capazes de medir níveis elevados de turbidez e indicadores da qualidade da água em condições extremas.

A expedição ocorreu entre os dias 31/01 e 09/02 e analisou amostras de 22 pontos de coleta distribuídos em 305 quilômetros de extensão do Rio Paraopeba, com a distância entre os pontos de coleta variando entre 15 e 40 km.

De acordo com o relatório, em toda a extensão analisada não foi identificada água em condições de uso, nem evidência de vida aquática. Durante todo o percurso a qualidade da água oscilou entre “péssima” e “ruim”.

Mas foi o trecho entre Brumadinho e São Joaquim de Bicas o que apresentou maior degradação do curso d’água. O relatório relata que “nesse trecho, pode-se dizer que o rio se encontrava morto, sem condições de vida aquática”.

Todos os 22 pontos de coleta apresentaram resultados que apontam a desconformidade da qualidade da água com a norma ambiental vigente para os rios de classe 2, como o Paraopeba.

As concentrações de metais pesados também estavam acima dos limites máximos permitidos em lei. Foi verificada a presença de ferro, manganês, cobre e cromo na água. Chumbo e mercúrio também foram encontrados nos primeiros 20 quilômetros do rio a partir da área afetada pelo desastre.

A conclusão do relatório é de que o Rio Paraopeba perdeu sua condição de importante manancial de abastecimento público e usos múltiplos de água em decorrência do carreamento de 14 toneladas de rejeito de minério de ferro para o seu leito.

A água do rio é imprópria para qualquer tipo de uso, seja abastecimento, dessedentação animal, irrigação, pesca ou recreação, o que faz do Paraopeba um rio morto, principalmente em seu trecho que corta o município de Brumadinho.

Medidas emergenciais e urgentes de recuperação ambiental precisam ser tomadas para que o Paraopeba possa se recuperar, o que deve levar muitos e muitos anos pela frente…

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Foto: Gaspar Nóbrega/SOS Mata Atlântica.

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A Praça 7 é o mundo!

Semanas atrás precisei deixar minha terrinha e bandear para os lados de Beagá. Eu, como bom roceiro que sou, não estava muito animado em passar duas longas horas sacolejando no estômago do coletivo, mas – como o sapo pula é por necessidade e não por boniteza – lá fui eu.

Quando desci no ponto da Praça 7 identifiquei de imediato os aromas característicos de nossa “roça grande”: um misto de dióxido de carbono, fritura, suor e urina… simplesmente um ponta pé no nariz.

Caminhei lentamente pela calçada tentando não pensar no que era composta as poças de água suja em que estava pisando, e aproveitei para dar a tradicional parada na banca do Boy e jogar ideia fora antes de continuar o caminho.

Conversamos algumas banalidades, geralmente sobre política, e logo segui pelo anfiteatro da Rua Rio de Janeiro, que estava como sempre apinhada de hippies e maloqueiros. Eu até curto essa galera. Gosto da maneira como se parecem desprovidos de qualquer tipo de ansiedade ou necessidades.

Enquanto caminhava com cuidado para não pisar na mercadoria da galera ouvi de pronto um dos maloqueiros soltar a sentença: “A praça 7 é o mundo! Aqui nada me falta! ”

O sorriso estampado na cara do sujeito denunciava que não era zoeira: a praça 7 é o mundo! Observei o mais discretamente possível aquele feliz amante do centro de Beagá. O cabelo não era nem comprido, nem curto, e desconfio que o bronze na cara do sujeito não era oriundo apenas da exposição prolongada ao sol, mas que um pouco de sujeira e gordura contribuíam para a textura daquela cútis.

É certo que a muito não tomava banho ou lavava a camiseta esfarrapada e a bermuda rota que vestia. Nos pés o par de havaianas desgastadas quase não era visível (certamente por ser um ou dois números menor do que o camarada calçava).

Fiquei surpreso com a felicidade daquele sujeito tão desprovido de recursos. Parei. Passei para o outro lado do anfiteatro e decidi observar mais aquilo tudo que estava rolando ali.

O hippie conversava animadamente com mais umas três ou quatro pessoas, dando baforadas curtas no cigarro de palha, intercaladas com pequenas goladas numa garrafinha pet. A bebida translúcida só poderia ser a nossa tão querida cachaça, que faz a alegria da rapaziada a preços módicos.

Fiquei pensando na contradição que era uma pessoa aparentemente com tantas restrições, praticamente em situação de rua, dizer que ali “não lhe falta nada”. Nesse momento me veio à mente a conhecida passagem bíblica de Mateus 6:25, onde Yeshua (Jesus) afirma: “por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber, nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes?”

Eu, na ansiedade de minha existência, invejei a vida aparentemente liberta de preocupações daquele hippie. O ambiente parecia estranhamente sereno, desprovido dos cuidados que a iminência do vencimento dos boletos nos obrigam a tomar (rs).

Logo me lembrei de meus compromissos e obrigações (e dos boletos). Voltei a caminhar decididamente pela calçada suja e a cruzar as ruas me desviando dos carros apressados como eu.

Com todas as preocupações da lida diária, aquela pontada de inveja daquele maloqueiro se desvaneceu tão logo parei para tomar uma coca-cola. Decididamente, não tenho vocação para riponga da praça 7…

Por onde devo começar para me tornar um jornalista freelance?

O mercado de comunicação mudou e continua mudando constantemente. Principalmente a profissão de jornalista passa por uma “crise”, que não vejo como boa ou ruim, mas que está mudando radicalmente a maneira como as pessoas consomem informação.

Bem, tudo isso é lugar comum e os jornalista vem percebendo essas mudanças já a muito tempo. O que pretendemos com esse post é elencar algumas questões que merecem atenção na hora de nos aventurarmos pelo universo do jornalismo freelance.

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Imagem retirada da internet.

Não ter patrão e horários definidos para estar na redação é realmente um pensamento “libertador”, mas pode ser também um grande vilão.

Uma das principais coisas a que o jornalista freelance deve se ater é à sua organização.

Organização é palavra chave e um dos principais fatores para o sucesso em qualquer área. Ter rotina é essencial e não se engane ao achar que uma vida totalmente desprovida de rotina é sinônimo de felicidade e sucesso.

Planeje bem o seu dia de acordo com os projetos que você precisa desenvolver. Tenha a mente clara, mantenha horas suficientes para um sono restaurador e evite excessos [NOTA: evitar excessos é receita para uma vida boa e equilibrada em todos os sentidos!].

Tenha uma agenda clara, organizada e executável.

Outro ponto do qual não podemos nos esquecer é de sempre buscar desenvolver novas habilidades.

O mercado exige muito e ter conhecimentos variados é um diferencial para o jornalista. Não basta apenas escrever bem, mas é importante também ter conhecimentos de edição, diagramação, SEO, fotografia e outros que se mostrarem necessários.

Desenvolvendo diversos tipos de trabalhos na área de comunicação você se tornará um profissional multifacetado e, portanto, mais competente. [NOTA: não confunda “multifacetado” com “multitarefa”, o primeiro é fundamental, o segundo é um grande engano. Veja artigo a respeito aqui.]

Dessa forma, é fundamental também quebrar preconceitos a respeito do ofício de jornalista. Muitos torcem o nariz quando entra no meio do trabalho e das discussões de pauta a palavra “marketing”.

Não tenha preconceitos a respeito de nada e abandone ideologias ultrapassadas como a crença de que, por meio do jornalismo, você vai mudar o mundo. Ou que as redes sociais democratizam a informação. Essas ideias já estão, a muito tempo, ultrapassadas.

Agora umas das coisas essenciais: não tenha medo!

O medo nos paralisa e nos impede de seguir nosso caminho rumo à realização profissional. Aventure-se pro novos projetos, no desenvolvimento de novas habilidades e na busca de novas maneiras de ganhar dinheiro como jornalista freelance.

Afinal de contas estamos aqui tentando unir o útil ao agradável: nossa paixão pelo jornalismo à conquista de uma renda boa e recompensadora!

E você? Quais são suas dicas para sermos um profissional freelance melhor?

*Texto originalmente publicado no blog Labor Diário.

Diversos livros de Zygmunt Bauman disponíveis para download

Se você gosta de ler sobre modernidade e os aspectos sociais de nossos dias, não pode deixar de ler algumas das diversas obras de Zygmunt Bauman.

Foi Bauman quem cunhou a famosa expressão “modernidade líquida” e discorreu centenas e centenas de páginas a respeito das relações sociais em nossos tempos “líquidos”.

O site Farofa Filosófica reuniu os links para download de mais de 30 livros de Bauman: algo simplesmente imperdível!

Acesse o link https://farofafilosofica.com/2017/02/24/zygmunt-bauman-em-pdf-31-livros-para-download/ e descubra mais sobre esse grande pensador.

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Foto: divulgação.

O poder do tempo

O tempo é brutal! Esta é uma verdade triste e desafiadora. O tempo é o ativo mais importante que temos em nossas vidas. Se ele se esvai e não o aproveitamos, perdemos um bem de valor inestimável.

Associado ao tempo também temos que definir o que nos deixa felizes. O que nos motiva e nos faz levantar com entusiasmo pela manhã?

Ao definirmos e entendermos isso, conseguimos definir o que é perda de tempo e o que fazer para aproveitarmos ao máximo o tempo de que dispomos em nossas vidas.

Não se iluda! Tempo é dinheiro, é vida, é sucesso, é felicidade.

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Imagem retirada da internet.

Passar a vida em procrastinação e reclamando a todo momento de nossa “falta de sorte” ou de “oportunidades” é um erro gravíssimo e também um grande “pecado” (no sentido mais amplo da palavra).

Organizar nossos dias (e consequentemente nossa vida) é uma forma não apenas de aproveitarmos melhor nosso tempo, mas também de estabelecer prioridades e dar o devido valor ao que mais importa para cada um de nós.

Estabeleça suas prioridades e determine a quantidade de tempo que você gastará com cada uma das coisas “mais importantes” para você: esposa, família, amigos, trabalho… seja o que for. Se esforce também para fazer de seu trabalho uma das prioridades. Tenha uma ocupação da qual goste, ou aprenda a gostar do trabalho que você tem. Não é simples, não é fácil, mas é possível.

Lembre-se que a vida é curta demais para que você perda seu tempo com o que não é importante para você.

Dicas para melhorar sua relação com o tempo:

1 – Estabeleça metas e prioridades;

2 – Defina quanto tempo você vai dedicar a cada item de sua lista de prioridades;

3 – Mantenha uma agenda e se esforce para cumpri-la integralmente;

4 – Não desperdice tempo e energia com o que não é importante para você;

5 – Combata a procrastinação;

6 – Evite perda de tempo e a dispersão nas redes sociais. Defina horários específicos e limites de tempo para acessar sites de relacionamento.

7 – Mantenha sempre o bom humor!

Fonte: labordiario.wordpress.com

Sangue na neve: crime e redenção de um disléxico

Já havia publicado por aqui uma resenha a respeito de “o leopardo”, primeiro livro que li de Jo Nesbo. Achei o livro ótimo, como vocês poderão rememorar aqui.

Recentemente resolvi ler o famoso “sangue na neve”, que é o livro que chamou a atenção do mercado editorial para Nesbo (pelo menos é o que fiquei sabendo).

Não se trata de uma estória envolvendo o já famoso personagem de Nesbo, Harry Hole, mas da vida de um assassino profissional disléxico (acho que foi isso que mais me chamou a atenção).

O texto é narrado em primeira pessoa, do ponto de vista de Olav (nosso assassino) e mostra a confusão em que se meteu ao tentar agir por conta própria quando seu “patrão” lhe encomendou um “servicinho” simples e rápido.

Nesbo discorre de forma dinâmica, prendendo a atenção do leitor, e demonstra, no desenrolar da trama, fatos e acontecimentos da vida de Olav em Oslo (onde se passa os acontecimentos).

Nosso protagonista possui um certo interesse (fetiche?) em proteger “mulheres problemáticas”. Teve uma relação desgastante com o pai e a mãe e fala como se inseriu no mundo do crime, as dificuldades que teve com outros “trabalhos” e sua condição de “disléxico”.

É interessante o raciocínio de Olav, as vezes inteligente e elaborado, as vezes simplista e um pouco ingênuo.

No entanto, o que julgo mais interessante no livro foi mostrar o ponto de vista por parte de Olav, as vezes demonstrando que ele pudesse estar interpretando os acontecimentos ao seu redor de forma equivocada.

Um bom livro, sem sombra de dúvida.

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Sangue na neve. Autor: Jo Nesbo. 154 páginas. Editora Record, 2015. Tradução de Gustavo Mesquita.

 

A infância de Singer na Polônia

“No tribunal de meu pai”, de Isaac Bashevis Singer, é um livro fascinante sob muitos aspectos. Primeiramente pela leveza e fluidez do texto, que em nada é cansativo ou monótono. Em segundo lugar pelo olhar infantil de um Singer em tenra idade e que, curioso, está sempre atento aos acontecimentos de uma Varsóvia que não existe mais. Um terceiro aspecto é, justamente, esse recorte temporal que desnuda a vida judaica na Polônia do início do século XX. E um quarto aspecto é a descrição, rica em detalhes, da vida cultural e os conflitos das comunidades judaicas do leste europeu. A língua, as festas, os casamentos, os divórcios, os folclores, a busca constante de um rabino (o pai de Singer) pelo conhecimento do Criador e o estudo da Torah, do Talmud e de outros escritos rabínicos.

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Issac Bashevis Singer

Singer discorre sobre o “tribunal” de seu pai, um rabino pobre, e a vida de sua família na Rua Krochmalna, no número 10, em Varsóvia. Seu pai era procurado com frequência para resolver um “Din Torah”, ou seja, uma querela entre pessoas da comunidade que não chegavam a um acordo comum. Esse trabalho, aliás, era parte do sustento da família, pois o pai recebia certa quantia por cada litígio resolvido.

Isaac discorre, no início do livro, sobre a própria instituição do “Din Torah” e como essa prática tem um caráter humanístico e conciliador, já que as partes tinham que concordar e os três – acusador, acusado e “juiz” – segurar um lenço branco em sinal de aceitação à resolução proposta pelo rabino.

Singer nos mostra aspectos interessantes da vida dos judeus de então, como o esforço do pai para ser um “bom judeu” e sua perplexidade com certas atitudes das pessoas de sua comunidade.

O livro também relata parte da história da família Singer, como seus pais se conheceram e se casaram e como saíram de Bilgoray (uma pequena vila rural) para a capital polonesa.

Não faltam humor e pequenas anedotas da vida doméstica na antiga polônia e podemos ver ainda as práticas religiosas, as indumentárias e tradições dos judeus ashkenazitas.

Os textos que compõem o livro foram originalmente escritos em iídiche (um dialeto dos judeus do leste europeu) e publicados em jornais das comunidades judaicas norte americanas. Certamente um documento riquíssimo que proporciona uma leitura fascinante.

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No tribunal de meu pai – 356 páginas – Companhia das Letras, 2008. Tradução do inglês de Alexandre Hubner.