“Não há nada no CAPS para divertir a nossa loucura”*

A frase que serve como título deste artigo foi dita por um cidadão durante a Audiência Pública que discutiu o Plano Plurianual de Brumadinho (PPA). O referido senhor, alto, robusto, de semblante sério e determinado, é um participante frequente das audiências públicas realizadas na câmara, e como se observa, um usuário de nosso Centro de Atenção Psicossocial. Insatisfeito, não se furta a oportunidade de falar na tribuna da Casa Legislativa, muito menos ao direito de cobrar a presença dos “medalhões da política de Brumadinho, que não vem aqui para apresentar seus projetos”.

Este personagem (que não é fictício, muito pelo contrário) é um exemplo da insatisfação e descrença de moradores que não se veem amparados pela administração pública. Sua “loucura” está saturada da mais pura razão, ao passo que os “medalhões” brumadinhenses, esses sim, são carentes de bom senso.

Discutir um plano que tem por objetivo estabelecer diretrizes e metas a serem seguidas pelo Poder Executivo nos próximos quatro anos deve ser levado a sério. Porém o que se percebeu no dia 19 de setembro foram reivindicações soltas e desamparadas. Todos sabiam do que se tratava a reunião, mas poucos tinham algum conhecimento do que estava contemplado no Plano Plurianual, muito menos dos recursos (dinheiro) destinados para cada setor da administração pública. “De quatro em quatro anos os mesmos problemas são levantados, mas nada é feito, daqui a quatro anos vamos voltar e reclamar das mesmas coisas novamente”, reclamava outro morador.

Os representantes da Prefeitura, presentes à reunião, não se pronunciaram, nem deram respostas às reclamações dos participantes. Preferiram o exercício do silêncio e da observação. Enquanto isso as reivindicações eram lançadas ao vento: as condições precárias das estradas do município; o desconhecimento do quanto é arrecadado pela Prefeitura e onde o dinheiro é investido; o aluguel “desnecessário” de carros pela administração municipal e o grande gasto com esses alugueis; o contrato “absurdo” com a empresa concessionária do transporte público (Turilessa) e a necessidade de melhorias no sistema de transporte municipal e intermunicipal; a falta de segurança no município e a necessidade da implantação da Guarda Municipal; a falta de iluminação pública nas ruas da sede; a importância da criação de um centro de convivência para os idosos; entre outras. Várias dessas reclamações já foram feitas nas intermináveis audiências sobre transporte e segurança pública, por exemplo, mas nada de efetivo foi feito, apenas a eterna discussão.

Os moradores foram embora da maneira que chegaram: vazios de respostas e perspectivas. Mas o trâmite legal foi feito. Audiência realizada, e nada no horizonte para “divertir nossa loucura”.

* Texto originalmente publicado no Jornal Brumadinho em Foco, edição 10, outubro de 2013.

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