Maletta Coletivo

O Edifício Maletta fica na Rua Augusto de Lima, quase esquina com a Rua da Bahia. É no Maletta que, desde 2010, acontece as exposições do Coletivo “Piolho Nababo”. A intenção do coletivo, segundo Froiid, artista plástico e um dos idealizadores do movimento, é a democratização da arte, propondo um espaço diferente, sem o conceito de curadoria. As exposições acontecem todas as sextas-feiras. “A parede branca recebe a exposição da semana, é o Nababo ou área nobre da galeria, as outras obras vão para as outras paredes, elas são o piolho”, explicou Froiid.

O conceito de democratização da arte se reflete também nos preços das obras, que variam desde R$ 1,99 até algumas centenas de reais. “Já tivemos obras de até seis mil reais expostas aqui, mas não vendeu e o artista levou embora”, explica. O coletivo recebe qualquer tipo de arte para a exposição, telas, desenhos, colagens, filmes, performances, teatro, até bandas já tocaram no espaço.

Na noite de 16 de março alunos do curso de Jornalismo do Centro Universitário Izabela Hendrix foram para o Maletta. Munidos de blocos, canetas e máquinas fotográficas a pauta dos universitários era produzir conteúdo para o site BH na Rede, um projeto experimental do modulo de Jornalismo Digital Avançado. A idéia é alimentar o link “ôncovô” que fala sobre as opções de lazer não muito óbvias na capital mineira. Para o site deverá ser produzido vários tipos de conteúdo, entrevistas, fotografias e gravações de áudio.

Logo que chegaram à pequena sala repleta de obras espalhadas por todos os lados, algumas mesmo empilhadas em montes desarrumados e pendendo do teto baixo como cascas soltas, os alunos se viram na difícil tarefa de propor um olhar organizado a tudo (ou quase tudo) que emergia dali. Logo escolheram seus entrevistados que se desdobravam para responder as perguntas, dar atenção aos visitantes e vender a cerveja estocada na caixa de isopor encardida recostada na parede. A iluminação do espaço não ajudava muito e os jovens jornalistas tiveram que recorrer à memória das aulas de fotojornalismo. “Minhas fotos estão ficando uma bosta”, reclamou uma universitária enquanto tentava ajustar a velocidade de obturação e a abertura do diafragma da máquina fotográfica.

Logo foi emergindo personagens incomuns, como o artista plástico Daniel Lassim, o expositor da noite. Daniel falava sobre sua rotina e suas influências artísticas, que variavam desde filmes de terror e quadrinhos até as capas de cd’s de heavy metal. Os universitários se espalhavam conversavam, fotografavam, inquiriam razões e pontos de vista de artistas, freqüentadores ou meros curiosos. “Sempre venho aqui depois de participar das reuniões do “Anonimous” (movimento hacker de contestação e defensor da liberdade de postagem de conteúdo na web)”, disse Maria Tereza, 15 anos. Sua amiga, Lis, de 16 anos, também é freqüentadora assídua das exposições. “Sempre que estou em BH eu venho aqui”, afirmou.

Logo os universitários estavam sentados pelo chão. Rascunhavam suas matérias, avaliavam suas fotos nos visores de LCD das máquinas, conversavam generalidades com professores e freqüentadores. “Eu quero é tomar uma cerveja” confessou a estudante, olhando para as pessoas que empunhavam suas “long neck’s” pelo corredor. Na volta para a faculdade, depois da pauta cumprida, subindo a Rua da Bahia, saciou sua vontade.

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