Tecendo a Odisséia no Inhotim

Peça da Conpanhia Suspensa faz uma reflexão à solidão baseada no poema da Homero

A Companhia Suspensa apresentou no Inhotim, no dia 17 de maio, a peça “Enquanto Tecemos.” Baseada no poema A Odisséia, de Homero, a peça faz uma reflexão sobre o estar só e o estar junto. Tendo como personagens Ulisses, Penélope e Palas Atenas, a peça faz uma mistura de textos, danças e sons em um enredo envolvente e contemporâneo.

O uso de recursos áudio visuais foi um dos pontos altos da apresentação, assim como as pinturas realizadas em cena.

Juntamente com o espetáculo de dança “Visto de Cima” são as primeiras ações do C.A.S.A., Centro de Arte Suspensa Armatrux, projeto em que o Grupo Armatrux e a Cia Suspensa, em parceria com o programa cultural Vivo Encena, realizam fora da sede em Nova Lima.

Anúncios

Maletta Coletivo

O Edifício Maletta fica na Rua Augusto de Lima, quase esquina com a Rua da Bahia. É no Maletta que, desde 2010, acontece as exposições do Coletivo “Piolho Nababo”. A intenção do coletivo, segundo Froiid, artista plástico e um dos idealizadores do movimento, é a democratização da arte, propondo um espaço diferente, sem o conceito de curadoria. As exposições acontecem todas as sextas-feiras. “A parede branca recebe a exposição da semana, é o Nababo ou área nobre da galeria, as outras obras vão para as outras paredes, elas são o piolho”, explicou Froiid.

O conceito de democratização da arte se reflete também nos preços das obras, que variam desde R$ 1,99 até algumas centenas de reais. “Já tivemos obras de até seis mil reais expostas aqui, mas não vendeu e o artista levou embora”, explica. O coletivo recebe qualquer tipo de arte para a exposição, telas, desenhos, colagens, filmes, performances, teatro, até bandas já tocaram no espaço.

Na noite de 16 de março alunos do curso de Jornalismo do Centro Universitário Izabela Hendrix foram para o Maletta. Munidos de blocos, canetas e máquinas fotográficas a pauta dos universitários era produzir conteúdo para o site BH na Rede, um projeto experimental do modulo de Jornalismo Digital Avançado. A idéia é alimentar o link “ôncovô” que fala sobre as opções de lazer não muito óbvias na capital mineira. Para o site deverá ser produzido vários tipos de conteúdo, entrevistas, fotografias e gravações de áudio.

Logo que chegaram à pequena sala repleta de obras espalhadas por todos os lados, algumas mesmo empilhadas em montes desarrumados e pendendo do teto baixo como cascas soltas, os alunos se viram na difícil tarefa de propor um olhar organizado a tudo (ou quase tudo) que emergia dali. Logo escolheram seus entrevistados que se desdobravam para responder as perguntas, dar atenção aos visitantes e vender a cerveja estocada na caixa de isopor encardida recostada na parede. A iluminação do espaço não ajudava muito e os jovens jornalistas tiveram que recorrer à memória das aulas de fotojornalismo. “Minhas fotos estão ficando uma bosta”, reclamou uma universitária enquanto tentava ajustar a velocidade de obturação e a abertura do diafragma da máquina fotográfica.

Logo foi emergindo personagens incomuns, como o artista plástico Daniel Lassim, o expositor da noite. Daniel falava sobre sua rotina e suas influências artísticas, que variavam desde filmes de terror e quadrinhos até as capas de cd’s de heavy metal. Os universitários se espalhavam conversavam, fotografavam, inquiriam razões e pontos de vista de artistas, freqüentadores ou meros curiosos. “Sempre venho aqui depois de participar das reuniões do “Anonimous” (movimento hacker de contestação e defensor da liberdade de postagem de conteúdo na web)”, disse Maria Tereza, 15 anos. Sua amiga, Lis, de 16 anos, também é freqüentadora assídua das exposições. “Sempre que estou em BH eu venho aqui”, afirmou.

Logo os universitários estavam sentados pelo chão. Rascunhavam suas matérias, avaliavam suas fotos nos visores de LCD das máquinas, conversavam generalidades com professores e freqüentadores. “Eu quero é tomar uma cerveja” confessou a estudante, olhando para as pessoas que empunhavam suas “long neck’s” pelo corredor. Na volta para a faculdade, depois da pauta cumprida, subindo a Rua da Bahia, saciou sua vontade.

“Os homens querem casar e as mulheres querem sexo” lota Teatro da Quadra, mas não surpreende

A peça “Os homens querem casar e as mulheres querem sexo” foi apresentada no Teatro Municipal da Quadra de Esportes de Brumadinho no dia 10 de março. O monólogo encenado por Marcelo Ricco e dirigido por Carlos Nunes traça a história de Jonas: Um homem que sonha em encontrar a mulher de sua vida e se casar. Durante a peça o personagem fala das dificuldades de encontrar uma esposa e como as mulheres valorizam o sexo em detrimento de um relacionamento sério. O ator traça uma conversa com seu “lado feminino” que é sapatão (novidade?) e tenta orientá-lo a fim de que ele, finalmente, compreenda o universo feminino.

Embora tenha tido bons momentos, a peça se torna cansativa ao passo que a intervenção com o público (recurso já esgotado pelo teatro contemporâneo) se tornou longa demais e maçante. O ator se prolongou na conversa e na “tentativa” de aproximação de casais solteiros na plateia, o que deu uma “quebrada” desnecessária na peça que, a duras penas, tinha começado a prender a atenção dos espectadores. As piadas batidas e já conhecidas também deram um clima démodé ao espetáculo.

Outro aspecto negativo foi a acústica do teatro. Não se conseguia ouvir bem o que era dito, deixando prejudicadas as pessoas que estavam sentadas mais longe do palco. As caixas de som usadas durante a apresentação foram insuficientes e aparentavam estar em péssimas condições de uso.

Público impressiona

O que realmente impressionou foi o volume de pessoas que compareceram ao Teatro da Quadra de Esportes para assistir a peça “os homens querem casar e as mulheres querem sexo”. O teatro ficou lotado e cadeiras de plástico precisaram ser colocadas. Mesmo assim várias pessoas assistiram à peça de pé. Antes do espetáculo, a fila para entrar no teatro quase chegou à esquina da Avenida Inhotim. Isso significa que Brumadinho tem público para espetáculos teatrais, outras peças já foram encenadas também com boa presença de público. Falta agora uma revitalização do Teatro Municipal, que tem um excelente espaço, mas ainda deixa a desejar no que diz respeito a conforto e acústica.

Ficha Técnica

Texto: Carlos Simões (RJ)
Elenco: Marcelo Ricco
Direção: Carlos Nunes
Assistente de direção: Christiano Junqueira
Voz in off: Heloísa Duarte
Cenário: Heleno Polisseni e Yuri Simon
Iluminação: Yuri Simon
Figurinos: Marcelo Ricco
Fotografia: Ludmila Loureiro
Projeto gráfico: Marcio Miranda
Assessoria de imprensa: Jozane Faleiro
Produção Executiva: Carol Fonseca