Conrado Almada fecha ciclo de Palestras na 3ª Semana da Comunicação

Os desafios da produção audiovisual e como se destacar neste mercado tão competitivo e plural. Foi este o tema da palestra de Conrado Almada na 3ª Semana da Comunicação do Instituto Metodista Izabela Hendrix em Belo Horizonte.

O produtor, que teve como escola o desenho, o design gráfico, a animação e o vídeo, já assinou clipes de grandes bandas brasileiras, como Skank, Jota Quest e Pato Fu, além de comerciais publicitários. Almada falou aos alunos do Curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda e Jornalismo – sobre as suas dificuldades no início de carreira e como conseguiu seu espaço no concorrido mercado do audiovisual.

Segundo ele, as facilidades de se produzir vídeos hoje se tornam uma espécie de empecilho, uma vez que as pessoas ficam acomodadas e não se esforçam para produzir conteúdo de qualidade. “Hoje está tudo muito fácil, todo mundo tem uma câmera no celular e pode fazer seus vídeos à vontade”, ressaltou. O produtor falou ainda sobre a importância de produzir e se aperfeiçoar, gerando um portfólio, no qual as empresas poderão conhecer mais o trabalho dos jovens produtores. Vários vídeos, tanto do início da carreira, quanto mais recentes, foram exibidos aos alunos e comentados por Almada, que explicou como se dá seu processo de criação.

O produtor ainda externou sua vontade de dirigir um longa-metragem. “Ideias tem várias, roteiro ainda não porque ainda não está dando tempo, mas em breve, se tudo der certo eu faço um filme”, disse.

A 3ª Semana da Comunicação aconteceu nos dias 30 de agosto e 1º de setembro no Instituto Metodista Izabela Hendrix e teve como tema: “Os Desafios da Comunicação”. O evento teve, além da palestra de Conrado Almada, a apresentação dos trabalhos dos módulos de rádio e impresso dos estudantes do curso de Comunicação.

Segundo o coordenador do curso, Luiz Lana, no fim do segundo semestre de 2011 haverá uma nova edição da Semana da Comunicação, porém com outro formato, que ainda está sendo definido pela coordenação.

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Um pouco de ética para o jornalismo

Ética na comunicação, ou no jornalismo em geral, é um tema muito debatido. Há dezenas de casos que ilustram bem como a falta de ética ou a notícia a qualquer preço pode causar um grande desconforto nas vidas das pessoas diretamente envolvidas (veja o já conhecido caso da Escola Base ou o do jornalista mineiro José Cleves).

Mesmo com todo o discurso a respeito da ética no jornalismo, podemos dizer que a imprensa é ética? O jornalista e escritor Eugênio Bucci, em seu Sobre Ética e Imprensa, já demonstrava, entre os sete pecados capitais do jornalismo (listados originalmente por Paul Johnson) o problema da “distorção, deliberada ou inadvertida”. Essa distorção é, em maior ou menor grau, recorrente na imprensa em nossos dias. Podemos tomar como exemplo um caso da publicação do jornal Estado de Minas de 31 de março de 2001. Foi publicado um direito de resposta referente a uma matéria que dizia que Flávia Torres teria matado a mãe a facadas (o direito de resposta saiu no dia 17 de agosto de 2002 no mesmo jornal). Uma inverdade ou “distorção deliberada” de um fato. Na verdade, a mãe de Flávia morreu de edema pulmonar.

Outro grande “pecado capital” do jornalismo que podemos listar é a invasão de privacidade. Para dar um exemplo bem mais recente, o jornal News of the World, de Londres, acabou sendo fechado em decorrência de um grande escândalo de escutas telefônicas de pessoas famosas e artistas. Tudo isso para conseguir “furos de reportagem” e abastecer os círculos de fofocas sobre famosos.

Esses exemplos são suficientes para mostrar como a grande mídia pode ser – e muitas vezes é – antiética. Resgatar os valores éticos no jornalismo é uma empreitada de certa forma até pretensiosa. Muitos jornalistas não se ruborizam em driblar a ética para conseguir suas matérias, se prestando a todo tipo de recursos para conseguir seus “furos” de reportagem.

De todo modo, o profissional da comunicação deve sempre se pautar por valores éticos em todas as suas atividades, o que lhe confere, além de credibilidade, uma segurança maior na composição de suas reportagens. Ser ético, então, tem a ver com a apuração bem feita das notícias, a seriedade na pesquisa de campo, a escolha de fontes também éticas e ter como princípio não publicar nada de cunho duvidoso.

*Meus agradecimentos ao Professor Fabrício Marques, pelas valiosas críticas.